adicionar aos favoritos | Rio de Janeiro/RJ

17/01/2008 16:18
"Enquanto puder, não abandonarei
o campo de batalha"
Depois de mais de quarenta anos no Judiciário, o desembargador José Joaquim da Fonseca Passos resolveu driblar a aposentadoria que se aproximava. Em 1997, aos 78 anos, recebeu de bom grado dois convites. O primeiro era para coordenar o curso de aperfeiçoamento para juízes da Escola da Magistratura do Rio. O outro, para dar forma ao Museu da Justiça, criado nove anos antes, mas até então sem expressão, e dirigi-lo. "Enquanto puder, não abandonarei o campo de batalha", diz ele, que se deu bem nas duas funções. Fonseca Passos lidera o grupo de dezoito desembargadores – a maioria deles já retirados – que se dedica a lapidar os novos magistrados fluminenses. Em sala, a turma debate sentenças e recebe a orientação dos experientes juízes. Na outra ponta de atuação, o Museu da Justiça tornou-se a paixão do desembargador, que passa as tardes de segunda e quarta cuidando da sua administração. Orgulha-se, em especial, de duas peças do acervo da casa: a máquina de escrever em que foi datilografado o Código Penal de 1940 e os manuscritos do jurista Ruy Barbosa. "A memória jurídica no Rio era zero", lembra. Uma hemorragia sofrida no ano passado o afastou das funções por mais de seis meses. Mas a demissão nem sequer passou pela sua cabeça. "Eu me sinto gratificado", afirma. "Ajudamos aqueles que entram agora no magistério e, no outro extremo, exaltamos quem já passou aqui."